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No mundo corporativo é bem freqüente vermos pessoas envolvidas em discussões arraigadas, cada qual apegado ao seu ponto de vista sem mesmo perceber que no outro extremo possa estar também a verdade. Como numa pirâmide, o observador lateral irá ver um triângulo e o que olhar pela base verá um quadrado. Ambos estão certos. Percebi isto observando a vida tão diferente de duas pessoas que admiro: Cazuza e Madre Tereza. Como a história da vida de duas pessoas tão diferentes poderia me causar sentimentos tão semelhantes? Ambos marginais enfrentaram a mesmice dos comportamentos humanos rompendo com as estruturas sociais. Ele desafiando a vida em busca do prazer pessoal. Ela desafiando a morte em busca do socorro social. E eu me pergunto: - Qual dos dois foi mais honesto? Honestamente eu não sei! Ambos tiveram a coragem de mergulhar fundo no limite da sexualidade. Ela na eterna castidade. Ele sacralizando a sacanagem. E eu me pergunto: - Qual dos dois foi mais saudável? Sinceramente eu não sei! Ambos fizeram poesia com a vida. Ela com sua maravilhosa história de amor fez da vida a mais linda canção. Ele na inquietante busca e na dor, nos mostrou outras faces do amor. E eu me pergunto? Qual dos dois foi mais artista? De fato eu não sei. Nos bares deste país ele viu a cara da morte e ela estava viva! Nas ruas de Calcutá ela viu a cara da vida e ela estava morta! Ambos deram sentido às suas vidas, viveram intensamente e morreram muito, muito cedo, pois os poetas deveriam ser eternos. Eles me fizeram compreender o IV principio hermético, A POLARIDADE, que diz: "Tudo é duplo; tudo tem dois pólos; tudo tem seu par de opostos; o semelhante e o dessemelhante são uma só coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados." - O CAIBALION Me rebelando contra a própria mediocridade, exclamo: - Me rebelando contra a própria mediocridade, exclamo: - Viva Cazuza! Pela lucidez da sua loucura! Viva Madre Tereza! Pela loucura da sua lucidez!
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