Um Hospital Humanizado

Ver o invisível

Quando um profissional da saúde entra num ambiente cirúrgico, paramenta-se de acordo com a necessidade que o ambiente exige, isto é: aventais, pró pés, máscaras, gorros e luvas, e tudo o mais para a garantia de um ambiente asséptico, evitando assim uma infecção hospitalar. Isto é um fato conhecido, mesmo que não possamos vê-los, temos consciência de que existem universos invisíveis a olho nu, por exemplo, o microscópico universo dos germes. Ínfimas partículas, porém com potencialidade se bem agrupadas e organizadas, despertar uma potencia letal capaz de dizimar toda uma população. Esse tipo de possibilidade pode ser previamente evitado através de atitudes profiláticas com o uso de técnicas, materiais e instrumentos adequados.

Porém há um tipo de agressão ao ambiente que não podemos detectar, nem mesmo num laboratório de alta tecnologia, porque este ambiente, diferente de microscópico é imaterial, é energia. A energia que chamamos de biopsicomagnética, produzida pelo nosso próprio ser. Um ser que pensa. O pensamento nada mais é do que ondas concentradas e inteligentemente organizadas, de um quantun de energia biopsicomagnética. Se é energia, se propaga em ondas, o que envolve um sistema de emissão e recepção de tais ondas. Vale dizer que nós seres humanos, somos um natural aparelho de emissão e recepção de ondas biopsicomagnéticas ou simplesmente pensamentos.

Mas não só pensamentos, como também, somos capazes de perceber as vibrações sutis que orbitam a vibração principal. Estamos falando da emoção retida, da verdadeira intenção, dos ganhos inconscientes e ocultos que uma mente humana comum constantemente arquiteta.

Tudo que sentimos e ou pensamos, de alguma forma libera uma energia psíquica, que adquire forma e vida própria, o que conhecemos como “formas – pensamentos” que ficam voando pelos ambientes onde vivemos, criando assim uma egrégora.

Quando um ambiente é fortemente marcado pelo sofrimento, pela dor, pelo medo da morte e a própria experiência do luto pela morte do outro, acaba por produzir um “ar” marcado por formas – pensamento compatível com este ambiente psíquico: dor, medo e morte.

Impregnamos os ambientes em que vivemos, um tipo de energia psíquica que produzimos o tempo todo: vivendo, se relacionando, rindo ou chorando, marcando não só a nossa história mas também o ambiente em que vivemos. Se este tipo de “ar” de que estamos falando pudesse ser visualizado como uma névoa colorida que cor teria? Como seria a cor do “ar” do Pronto Socorro movimentado de sua cidade? Como seria a cor do “ar” de um Presídio de Segurança Máxima? Ou mesmo de uma Unidade de Terapia Intensiva? Onde a morte e a vida se misturam cotidianamente na rotina diária. Certamente todos nós pensaríamos numa cor densa, escura, que pudesse traduzir as características do ambiente. Pois bem, não podemos distinguir a qualidade vibratória de um ambiente pela tonalidade do “ar”. Porém isso não significa  que estes ambientes não existam e que seus respectivos tônus vibratórios possam influenciar os diversos tons de pensamentos de pessoas que ali trabalham ou que ali estejam para encontrar a cura. Eu falo de um ambiente psíquico que necessita estar saneado, suficientemente limpo para que profissionais e pacientes, que ali diariamente vivem imersos, não adoeçam mais ou mesmo permitam que este clima perturbe o desenvolvimento de suas ações. Um ambiente onde a dor, a perda, o medo da morte e o luto, são comuns e diários deve ser seriamente considerada uma proposta de limpeza constante e manutenção vibratória do ambiente.

Como é possível defender-se desta contaminação?

É bom que se diga, que evitar este fenômeno é tão possível, quanto possível é acabar com a dor humana, acabar com o medo da morte e instituir definitivamente a realidade espiritual.

Se é impossível evitar este ambiente vibratório, a pergunta que se faz é: como minimizá-lo ou até mesmo como nos defender de tal situação?

Algo me parece óbvio: se um ambiente foi produzido por mentes que sofrem e que passam por algum grau de desequilíbrio. Isto só pode ser compensado, ou anulado por mentes equilibradas, vibrando harmoniosa segurança e abundância de amor para a harmonia do todo e a criação de um ambiente de cura.

Toda comunidade médica admite a marcante importância que uma mente sã pode fazer para recuperar um corpo circunstancialmente insano. Com um pouquinho mais de boa vontade, podemos compreender que temos que cuidar também da saúde da mente coletiva que criamos nos ambientes.

Na prática, como isto pode ser feito!

Da maneira que entendo, os primeiros passos devem ser em direção ao cuidado de quem cuida. A equipe deve estar atenta a esta realidade e estar constantemente ocupada em criar encontros para pensarem mecanismos de proteção psíquica através de exercícios e técnicas, até mesmo práticas de meditação. Mantendo sempre o caráter ecumênico num clima de ética e respeito supra-religioso, olhando a espiritualidade como um conhecido e bem sucedido fator de proteção psíquica. Uma equipe multidisciplinar, espiritualmente bem preparada, terá maiores chances de assistir aos pacientes de maneira mais sensível e humana, podendo por exemplo trazer para a prática diária da oração. Respeitando o sistema de crença de cada um.

É bem comum pacientes que recuperam a sua crença e começam devotamente a orar para recuperar a saúde, conseguir melhoras consideráveis em seu estado geral. Chegando às vezes a se observar melhoras que se confundem com milagres.

Trazer para o dia a dia, a lembrança de Deus, a beleza do Amor, a alegria da Vida pode trazer mais conforto e propiciar melhor compreensão da naturalidade da morte. Os nossos técnicos necessitam aprender e ensinar nossos pacientes a como morrer.

Uma equipe saneada é aquela que prioriza a competência interpessoal onde cada membro aprende a conviver harmoniosamente com a adversidade, buscando sempre um vórtice comum de benefícios a todos.

Uma equipe saneada é aquela que está sempre aberta a rever-se em autocrítica, quanto disposta a buscar novos caminhos ousando em novos horizontes.

Uma equipe saneada é aquela que não se acomoda em zonas de conforto, reciclando sempre faz do dia a dia profissional uma oportunidade de aprendizado constante.

Uma equipe madura e saneada terá condições de entre tantas e importantes tarefas implementar e implantar um programa de meditação ou de oração com finalidade de manter vibratóriamente limpo e saudável o ambiente hospitalar. Cabe também à equipe, a elaboração de programas de acompanhamento espiritual da clientela, respeitando e valorando cada sistema de crença numa atitude ecumênica e supra-religiosa.

É bom lembrar que quando uma pessoa adoece, encontra-se quase sempre em estados psicológicos regressivos externando uma carência e uma maturidade quase infantil “… e qualquer desatenção, faça não! Pode ser a gota d’gua”.

Dr. Wilson R. Gonzaga da Costa é médico psiquiatra, psicoterapeuta, conferencista, consultor de empresas na área de desenvolvimento humano, diretor do Instituto Hermes de Transformação Humana. Vem há anos trabalhando com empresas privadas e estatais, instituições de ensino, em hospitais treinando pessoal, dando palestras, dirigindo vivências.

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